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Investigação da PF expõe possível ‘máquina de dinheiro’ no funk: o papel de MC Ryan em esquema que pode superar R$ 260 bilhões

Polícia Federal aponta que carreira artística foi usada para movimentar recursos ilícitos
  • Categoria: Música
  • Publicação: 20/04/2026 13:39
  • Autor: Redação
A Polícia Federal (PF) identificou indícios de uso da carreira do cantor MC Ryan SP para movimentar recursos ilícitos em um esquema que pode ter ultrapassado R$ 260 bilhões. A investigação aponta que atividades ligadas ao entretenimento teriam sido utilizadas para dar aparência legal a valores oriundos de práticas ilegais.

Segundo os investigadores, o artista é apontado como figura central da estrutura financeira analisada, em um modelo que misturava receitas do setor musical com recursos provenientes de apostas, rifas ilegais e organização criminosa.

PF identifica ‘simbiose’ entre música e crime

De acordo com documentos da investigação, a Polícia Federal classificou a relação entre o entretenimento e o esquema como uma “simbiose”, indicando integração entre atividades legais e ilegais.

Os investigadores afirmam que “Alvo central da associação criminosa investigada. Usufrui e gere a máquina de faturamento dissimulada, mesclando música ao risco oriundo do mercado das casas de aposta (Bets) e do PCC”, diz o documento.

A apuração aponta que a estrutura permitia a circulação de grandes quantias por meio de atividades artísticas, o que dificultaria a identificação da origem dos valores.

Uso de atividades legais para ocultar recursos

A Polícia Federal destacou que contratos musicais e apresentações foram utilizados para legitimar movimentações financeiras. O modelo investigado consistia em misturar receitas de shows com valores ilícitos.

Segundo os investigadores, esse mecanismo possibilitava “esquentar” o dinheiro de origem ilegal, ao incorporá-lo a fluxos financeiros aparentemente regulares do setor de entretenimento.

A estratégia, conforme a apuração, envolvia empresas do ramo artístico e digital, utilizadas para dar suporte à movimentação de recursos e ampliar a circulação dos valores.

Operação mobilizou mais de 200 policiais

A Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (15/4), com a participação de mais de 200 agentes. A ação teve como objetivo desarticular o grupo investigado.

Foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária. Durante a operação, as equipes apreenderam dinheiro em espécie, veículos de luxo, armas, além de documentos e equipamentos eletrônicos.

Entre os presos estão MC Ryan SP, apontado como principal beneficiário do esquema, além de MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, o influenciador Chris Dias e sua esposa, Débora Paixão.

Esquema envolvia apostas e rifas ilegais

De acordo com as autoridades, o grupo utilizava diferentes frentes para movimentar os recursos, incluindo apostas ilegais, rifas virtuais e atividades relacionadas ao tráfico de drogas.

As investigações indicam que empresas vinculadas ao setor artístico e digital eram usadas para integrar os valores ao sistema financeiro, dificultando o rastreamento.

A Polícia Federal estima que o volume total movimentado pelo grupo pode ultrapassar R$ 260 bilhões, embora o valor ainda esteja em análise.

Justiça determina bloqueio bilionário

Como parte das medidas judiciais, foi determinado o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens ligados aos investigados. A decisão busca impedir a movimentação de recursos durante o andamento das investigações.

A operação segue em curso e novas diligências podem ser realizadas para aprofundar a apuração sobre o funcionamento do esquema e a participação de cada um dos envolvidos.